• 22 de abril de 2021

Quid? Ubi? Cum?

Quando se ventilou a ideia da extinção do Cuiabá Vest, cursinho preparatório pré-vestibular e para o ENEM, através da necessária reforma administrativa proposta pelo Executivo Municipal, a comunidade estudantil e os professores, assim como grande parte da sociedade, se voltaram contra, por entenderem se tratar do sepultamento de um dos maiores programas de inclusão social que um governo possa oferecer para a população, vez que vinha dando excelentes resultados desde a sua criação, há dez anos, ao possibilitar a centenas de milhares de pessoas de baixa renda ingressar em uma universidade, mudando a vida de aproximadamente onze mil jovens, com aprovações maciças em várias instituições de ensino superior, seja pública ou privada, de Mato Grosso e de vários outros estados do Brasil, vislumbrando, desta forma, um futuro promissor a si e às suas famílias.
No entanto, uma luz no fim do túnel surge como a salvação para este importante instrumento, quando o Excelentíssimo Senhor Senador da República e Governador eleito no pleito deste ano, o também professor Pedro Taques, acena com a possibilidade de o Governo Estadual assumir a responsabilidade pela sua gerência.
Apesar de a idéia estar apenas na seara dos estudos da viabilidade de sua implantação, nos surgem os seguintes questionamentos: como, onde e quando?
É sabido que o governo do estado, através da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia – SECITEC criou o MT Preparatório, cursinho gratuito preparatório para as provas do ENEM, vestibulares e concursos públicos, voltados aos alunos oriundos de escolas públicas, no sistema tele presencial, instalado nas escolas estaduais de ensino médio dos municípios. .
Porém, apesar de ter sido uma excelente iniciativa, o projeto foi desativado há mais ou menos 03 anos, talvez em razão do próprio sistema de tele-aulas, que não tenha sido muito bem digerido pelo seu público alvo, ou pela falta de planejamento, ao incorporar o cursinho preparatório para concursos públicos, ou mesmo por uma falha de gestão, no que diz respeito à comunicação entre a SECITEC e a SEDUC, que eram os órgãos gestores à época.
Neste diapasão urge destacar a nossa preocupação de como se daria essa mudança do Cuiabá Vest, do Município para o Estado, pois se faz mister que seja uma transição responsável, transparente e muito bem planejada, a fim de que não se perca o objeto principal para o qual foi criado, podendo ser uma absorção total ou parcial, através de um convênio técnico com alguma secretaria estadual e que seja mantido o sistema presencial das aulas, ao menos na região metropolitana da grande Cuiabá, um dos responsáveis pelo grande sucesso atingido pelo cursinho, haja vista a reconhecida qualidade do seu corpo docente.
Outro ponto que deve ser objeto de minuciosa análise é o local de implantação dos pólos. Onde deverão ser criados os pólos de ensino, para que possamos agregar o maior número possível de alunos, sem, no entanto, comprometer a sua qualidade? Nesse sentido há que ser escolhido estrategicamente as cidades a serem contempladas com o cursinho preparatório, para que estas possam logisticamente facilitar o acesso da população dos municípios circunvizinhos.
E, por derradeiro e não menos importante, seria o momento de se finalizar essa transição. Quando as aulas teriam o seu início definido? Essa definição deve ser feita o mais célere possível, pois a demora pode prejudicar sensivelmente o ano letivo, haja vista termos que despender tempo suficiente para o processo seletivo para a contratação de professores, seleção dos alunos, processo licitatório para aquisição dos materiais didáticos e tantos outros procedimentos, com o escopo de se garantir a lisura e a transparência, condição sine qua non, para a garantia dos princípios norteadores da administração pública.
Tais questionamentos se fazem necessários, a partir do momento em que constatamos que o ensino médio das escolas da rede estadual de Mato Grosso apresentou queda de desempenho na meta proposta pelo Ministério da Educação (MEC). Segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado pelo órgão, a pontuação média do ensino médio foi de 2,7 pontos, bem abaixo da meta esperada pelo governo federal que era de 3,1 pontos.
Deste modo, não podemos esperar que as coisas aconteçam. É notório que a qualidade do ensino médio do nosso estado carece de melhorias e temos certeza que elas virão, porém, devemos dar o verdadeiro suporte a essas pessoas que já concluíram ou que ainda vão concluir, proporcionando a elas uma possibilidade de galgarem patamares mais elevados. E isso só é possível com um ensino de qualidade, com gestores públicos comprometidos com a educação. Só assim vislumbraremos um futuro bem melhor para os jovens deste imenso Brasil.
E, por hora, fica a cargo dos nossos governantes as respostas aos nossos questionamentos: quid, ubi, cum???

Mário Nadaf
Ex-gestor do Cuiabá Vest, Professor de Curso Preparatório para Vestibulares/ENEM e Vereador por Cuiabá, pelo Partido Verde – PV

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