> Magistratura: sonho transformado em realidade

 

Foco. Disciplina. Persistência. Paixão. Determinação. Se é que existe uma fórmula, esta foi a utilizada pelos aprovados no Concurso Público para Ingresso na Carreira da Magistratura do Estado de Mato Grosso. Ao todo, são 26 novos juízes substitutos que tomaram posse nesta segunda-feira (13 de julho).

 

O caminho a percorrer foi longo, os obstáculos a vencer foram muitos, mas no final o sonho de vestir a toga se transformou em realidade. O sentimento é um misto de felicidade e alívio, já que enfrentar um concurso para magistratura não é tarefa fácil.

 

Quando fez a inscrição para o concurso, Arthur Moreira Pedreira de Albuquerque, 30 anos, disputava uma das 12 vagas então ofertadas com dezenas de candidatos. As etapas do concurso foram passando, o número de concorrentes reduzindo e, no final, a surpresa. Primeiro lugar na classificação geral. “Não imaginava ficar em primeiro lugar”, confessa.

 

Para chegar até aqui, porém, foi preciso estudar. Quando terminou a faculdade de Direito, no final de 2007, em Belém (PA), Arthur conta que já sabia que continuaria estudando, pois seu foco era passar em um concurso público. E passou, para delegado no Estado do Amapá, onde trabalhou durante quatro anos e oito meses até ser aprovado no concurso para magistrado.

 

Quando tomou posse como delegado, em 2010, Arthur conta que ficou sem estudar durante os seis meses em que esteve na academia de Polícia. Assim que terminou, se voltou novamente para os livros. Estudava de cinco a seis horas todos os dias. Mas o que os colegas e amigos achavam disso, já que ele tinha um bom emprego?

 

“Falavam que eu era um eterno insatisfeito. Achavam que eu ia acabar desistindo. Eu não me importava com isso, sempre fui muito tranquilo, pois eu não me identificava com a profissão de delegado, eu queria a magistratura. Eu tinha um objetivo, um sonho e fui atrás dele”.

 

Casado com uma advogada, o novo magistrado vem para Mato Grosso com muitas expectativas e a certeza que agora está na carreira certa. O fato de ir para uma comarca do interior do Estado não é problema. “Tenho uma facilidade muito grande de me adaptar”.

 

A história do segundo colocado no concurso, Fábio Petengill, 40 anos, é um pouco diferente. Quando terminou a faculdade, em 1996, ele tinha uma certeza: queria ser advogado, profissão que exerceu durante 10 anos. Era infeliz com o que fazia? Não. Porém, em 2002 recebeu um convite para trabalhar como assessor do desembargador Orlando de Almeida Perri e a partir daí nasceu o desejo de ser magistrado.

 

Como não podia parar de trabalhar para se dedicar exclusivamente aos estudos, Fábio resolveu unir o útil ao agradável. Além de trabalhar no gabinete, ele também era professor universitário e viu aí uma chance de estudar para se preparar, paralelamente, para o concurso. Como professor sempre tinha que estudar e se reciclar e assim, durante 11 anos, ele conciliou docência com assessoria de gabinete.

 

Para estudar nas mais diferentes áreas o agora juiz usou uma estratégia, ministrou ao longo da docência 14 disciplinas, assim, conseguia estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Tarefa fácil? Nem um pouco, mas era a única maneira de perseguir o sonho e transformá-lo em realidade. Antes de ser aprovado neste concurso ele já tinha tentado outras três vezes e sempre esbarrou na sentença penal. Ele fez da dificuldade uma meta e neste concurso focou mais os estudos nessa área, conseguindo a aprovação.

 

Se ficou feliz com o resultado? “Fiquei aliviado (rs….), depois veio a felicidade. É como se tivesse tirado 200 quilos das minhas costas”. Pai de dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, Fábio vai morar sozinho no interior do Estado. “A aprovação veio na hora certa. Hoje tenho a maturidade que só vem com o tempo, não estou preocupado para onde eu vou. Estou tranquilo e com ótimas expectativas”, assegura.

 

Há sete meses Sabrina Andrade Galdino, 29 anos, assumiu uma vaga no Ministério Público de Rondônia. Há pouco tempo ela recebeu a notícia de que foi aprovada em terceiro lugar no concurso para a magistratura mato-grossense. Momento de tomar outra decisão importante na vida. Depois de pensar, refletir, colocar na balança os prós e contras, Sabrina seguiu o coração e decidiu por em prática aquilo que sempre foi seu foco: ser magistrada.

 

Tomar decisões entre o seguir e o ficar sempre foi uma constante na vida de Sabrina, desde que terminou a faculdade em Ouro Preto (MG), em 2009. Assim que se formou recebeu uma proposta para ser assessora de um juiz no Acre. Com um diploma na mão e um sonho na cabeça, ela aceitou o desafio, arrumou as malas e seguiu viagem. A família ela já havia deixado alguns anos antes, em Rondônia, para fazer a faculdade.

 

Já no Acre ela fez um concurso para ser analista da Justiça Federal de Rondônia e passou. Novamente bagagem pronta, mudança feita. Depois de um ano trabalhando nesta área, Sabrina fez um novo concurso, para promotora de Justiça, e outra vez foi aprovada. O foco, porém, sempre foi ser juíza. “Me sinto vocacionada para a magistratura. Eu estava trabalhando no meu estado, em uma situação, digamos, confortável, mas para mim é a realização de um sonho. Quando eu trabalhei no cargo de assessora fiquei tão apaixonada que me vi fazendo aquilo (trabalhando com processos) a vida toda”, afirma Sabrina, que, por enquanto, trouxe as malas. A mudança o marido está organizando. “Ele disse que essa é a última vez que me acompanha (rs…..)”.

 

Ao todo, 49 candidatos foram classificados, sendo que 26 novos juízes substitutos foram empossados. Novas nomeações poderão ser feitas futuramente, conforme disponibilidade orçamentária e necessidade do Poder Judiciário mato-grossense.Por TJMT

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