Jecrim discute saúde bucal e consumo de drogas

02/09/2016 – O uso de drogas, mais do que causar dependência, agride de forma drástica a saúde, principalmente a saúde bucal. O consumo de qualquer droga afeta de forma imediata a integridade dos dentes e pode até provocar câncer de boca. A dentista Sara Regina Ribeiro levou estas informações para os participantes do Grupo de Acompanhamento, Informação e Educação do Núcleo Psicossocial (Nups) do Juizado Especial Criminal Unificado (Jecrim) de Cuiabá.

 

A especialista em saúde bucal mostrou que toda a região da boca sofre com o consumo de drogas, mas as consequências geralmente só são percebidas quando o usuário tenta parar. “No período de abstinência eles sofrem muito com dor de dente, e muitas vezes é preciso uma intervenção mais intensa, como o tratamento de canal ou extração”, explica Sara.

 

Embora algumas drogas sejam mais agressivas do que outras, todas são prejudiciais à saúde quando usadas regularmente, até porque o hábito interfere na manutenção da higiene pessoal. Existem malefícios comuns a diversas substâncias, como a diminuição do fluxo salivar, que é um efeito típico da cocaína, do crack, da maconha e do ecstasy.

 

O ressecamento dificulta a limpeza da cavidade oral, gerando mau hálito, acúmulo de placa bacteriana e infecções. Por serem drogas que induzem ao consumo de doces, a maconha e o ecstasy potencializam o surgimento de cáries, e a última piora o desgaste dos dentes por causar bruxismo (mania de ranger os dentes) e apertamento da mandíbula.

 

Os participantes do grupo, cerca de 30 jovens, ouviram atentos as informações da dentista. Muitos não tinham nem noção do que a droga pode causar à saúde bucal. Eles confirmam que o acesso à informação é um mecanismo eficiente de combate ao consumo de drogas.

 

A participação dos usuários no Grupo de Acompanhamento é uma previsão da Lei de Drogas (lei 11.343/2016), que no art. 28 determina como pena aos usuários a aplicação de medidas educativas. Mais do que aplicar a lei, o Grupo de Acompanhamento do Nups quer estender a mão a essas pessoas que necessitam de ajuda.

 

Mário de Araújo relatou a sua trajetória pelo mundo das drogas. Foram 27 anos mergulhados no submundo da dependência química até que conseguiu sair. Passou 22 anos “limpo”, mas teve uma recaída e agora tenta novamente se reerguer. Diz que está há mais de sete meses sem usar drogas. Ele conta que sem auxílio é praticamente impossível um usuário abandonar o vício.

 

A psicóloga do Nups, Vera Camargo, confirma a informação de Mário e diz que sem apoio e sem incentivo é muito difícil que um dependente consiga abandonar o vício. Ela explica que os melhores resultados são conseguidos com pessoas que ainda estão no início, com índice de recuperação próximo a 50%.

 

O Nups foi criado para fazer um acompanhamento das pessoas que foram presas usando drogas. As pessoas que fazem uso intenso são encaminhadas para tratamento de saúde, já os que estão no uso mais leve recebem orientação no núcleo.

 

 

Por;Vlademir Cargnelutti

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