Jecrim: destinação de verba melhora atendimento

Um novo posto de enfermagem, nova pintura, novos azulejos para a cozinha, troca de portas de todos os banheiros, ventiladores, torneiras e outras benfeitorias. Esses são alguns dos resultados da reforma que está sendo feita no Complexo Dr. José Eduardo Vaz Curvo, Unidade III do Centro Integrado de Apoio Psicossocial (CIAPS Adauto Botelho), com recursos provenientes de penas pecuniárias destinados pelo Juizado Criminal de Cuiabá (Jecrim). Ações como essa proporcionam um futuro melhor para pessoas que recebem o tratamento por meio da justiça terapêutica na unidade.

 

Aproximadamente R$ 20 mil foram destinados à reforma, realizada pelos próprios pacientes, por meio do programa de arteterapia, chamado “Dar de Si”, onde eles puderam resgatar as habilidades perdidas em função do vício. O local, destinado à pacientes do sexo masculino, por demanda voluntária, involuntária e espontânea, oferece tratamento humanizado e de qualidade. É uma unidade de desintoxicação destinada a casos graves de usuários de drogas. Ao todo, a equipe é composta por dois clínicos gerais, um psiquiatra, dois psicólogos, dois nutricionistas, três assistentes sociais, três arte-terapêutas, oito enfermeiros e doze técnicos de enfermagem.

 

A administradora da unidade, Adriane Martins, conta que a reforma da parte estrutural foi completa e muito significativa, o que proporcionou uma melhor qualidade de internação aos pacientes, fazendo com que a adesão deles ao tratamento fosse maior, por ficarem em um local com melhores condições e com mais higiene. Tudo isso tem evitado inclusive as fugas, que não ocorrem há dois meses. “Essa parceria com o juizado é muito importante. Se não fosse o Jecrim e essa destinação de recursos nada disso seria possível”, ressaltou.

 

Outra boa notícia que vem com essas benfeitorias é o número de atendimentos que sofreu um aumento bastante significativo. Adriane diz que antes da reforma, com a estrutura precária, quatro enfermarias estavam interditadas, sem condições de uso, sem ventiladores e com banheiros entupidos. Cada enfermaria tem capacidade para seis pacientes, ou seja, a unidade deixava de atender 24 pessoas que necessitavam de tratamento. “Com a reforma o número de atendimentos já aumentou. Estávamos com dez pacientes e hoje já chegamos a 30 e pretendemos alcançar a capacidade da unidade, que é de 50 leitos”.

 

A administradora da instituição falou ainda do empenho dos pacientes durante a obra. Muitos deles se ofereceram para ajudar e colocaram a mão na massa, literalmente, pintando paredes, portas, assentando azulejos, levantando paredes. Uma forma de ocupar o tempo dentro do local e também participando dos programas da unidade.

 

Fábio Borges Silva, por exemplo, está internado na unidade desde o mês passado e ajudou na pintura e na construção da horta. Ele fala das melhorias no local. “Em vista do que estava antes melhorou em cem por cento”, avaliou.

 

Para o arteterapeuta que ministra os cursos e programas no complexo, Davi Vicente, todas as oficinas contribuem para o processo de melhoria dos pacientes, porque, segundo ele, tratamento não é apenas medicação. “Dentro dessa nova proposta da Unidade III nós temos vários projetos terapêuticos integrados, de nutrição, de psicologia, da enfermagem. São vários grupos de trabalhos feitos para os pacientes”, informou.

 

Davi Vicente revelou ainda que muitos pacientes acabam se revelando ao começar alguma atividade, como pintura ou escultura, o que contribui, e muito para a evolução no tratamento. “Ajuda também a superar os desafios que é a dependência e o que ela causa. Quando eles chegam aqui, podem escolher qualquer uma das oficinas conforme sua identificação e o resultado são ótimos trabalhos”.

 

O juiz titular do Jecrim, Mário Roberto Kono, classificou o investimento como uma questão de humanidade. Segundo ele, os atendimentos do Jecrim, em sua maioria são de pessoas que têm essa doença, que é a dependência química. “É uma verdadeira parceria entre o juizado e a Unidade III do Adauto Botelho, para que possam receber o tratamento adequado. Como temos as medidas alternativas, nada mais justo do que ajudar a manter e colocar em funcionamento essa unidade tão importante”, falou.

 

O magistrado ressaltou ainda a importância da participação e da presença da família durante o tratamento dos pacientes, onde o objetivo, claro, é a busca da reintegração dessas pessoas na sociedade. “Temos que trabalhar não só o dependente, mas também sua família, que acaba adoecendo com essa problemática. Procuramos dar suporte a todos eles por meio de outros parceiros, como Al-Anon, Alcoólicos Anônimos, Amor Exigente, inclusive com sessões dentro do Jecrim para ver se conseguimos resgatá-los dessa situação em que eles se encontram”, discorreu.

 

Para as instituições que tiverem interesse em receber recursos oriundos de penas pecuniárias o juiz explica que, antes de tudo, a entidade deve estar devidamente legalizada e registrada. Depois, basta elaborar e apresentar um projeto ao Juizado Criminal mostrando a necessidade do recebimento do recurso, bem como ele será aplicado e também uma estimativa de custo. Após a apresentação desse projeto o mesmo será avaliado pela comissão do juizado, que verificará se será viável ou não a destinação dos recursos solicitados.Por TJMT

 

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