Integração artística ao estilo Silva Freire marca reinauguração de galeria na OAB-MT

25/06/2016 – “Os Cinco Elementos do Cerrado” chegaram revestidos de polêmica na reinauguração da Galeria Silva Freire, na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), na noite desta quinta-feira (23). A exposição fotográfica foi abrigada e escolhida para reabertura do espaço cultural da Casa da Democracia depois de ter sido retirada de um shopping da Capital sob ameaça de protestos pelas imagens de nudez.
O nu artístico representado nas 25 imagens que compõem a exposição do fotógrafo Tchélo Figueiredo inspirou-se nas figuras mitológicas para enaltecer o corpo feminino exaltando as tramas culturais, econômicas e naturais de Mato Grosso através de cinco elementos: agronegócio, secura, frutas, águas e arte.
“Agradeço a reinauguração dessa galeria nesse momento e nesse contexto”, destacou Larissa Silva Freire Spinelli, filha de Silva Freire.
Em nome da família e da Casa Silva Freire, ela explicou que o trabalho exposto está no coração do conceito do processo cultural-histórico definido com o termo “cuiabania” por seu pai. “Para nós é uma grande alegria fazer coro junto com a OAB-MT na luta pela arte e cultura, na luta pela cuiabania no sentido do processo cultural histórico de Mato Grosso”, finalizou.
Além de Larissa, participaram do ato de reinauguração, dona Leila Silva Freire e seu filho, Murilo Silva Freire.
O mesmo sentimento foi expresso pelo vice-presidente da OAB-MT, Flavio Ferreira – “discípulo de Silva Freire”, como fez questão de ressaltar – ao revelar que o momento era duplamente especial.
As palavras foram reforçadas pelo presidente da Academia Mato-grossense de Letras (AML), José Carrara, lembrando que o estado precisa de mais símbolos como Silva Freire.
“Silva Freire era um poeta advogado e um advogado poeta”, frisou o presidente da OAB-MT, Leonardo Campos, ressaltando a importância de seu trabalho.
A complexidade da obra de Silva Freire se mescla à simplicidade dos elementos naturais de Mato Grosso, da naturalidade do corpo humano e das várias formas de arte que se reuniram na noite que marcou a reinauguração da galeria dedicada ao escritor, poeta e advogado Silva Freire.
A também imortal Luciene Carvalho traduzindo a polêmica em torno da exposição em poesia. A intervenção artística do grupo teatral Cena Onze ilustrou a polêmica da nudez e da valorização feminina em meio às fotos.

Responsabilidade Social – Mais que reinaugurar um espaço cultural, a OAB-MT, também conhecida como Casa Democracia, recebe a exposição fotográfica num contexto muito mais amplo, o da defesa da liberdade de expressão.
Leonardo Campos fez questão de frisar as palavras que estão na placa de inauguração da OAB-MT: “Nesta Casa se venerará a verdade, a Justiça, a liberdade e a paz”, para demonstrar o compromisso da entidade com a defesa dos direitos.
Ele ainda fez questão de complementar, ressaltando que na OAB-MT “é proibido proibir” e que todos os dias a Casa venera a Constituição Federal.
Conforme estabelece o artigo 5º da Constituição Federal, em seu inciso IX, “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Trata-se, portanto, de uma das garantias fundamentais da população brasileira.
As intervenções artísticas que se somaram à exposição fotográfica trouxeram à tona, um dos temas abordados pelo fotógrafo quando concebeu o projeto: “o corpo feminino em toda a sua pluralidade e poética visual”.
Apesar das cenas de nudez que deram margem à polêmica para retirada da exposição do shopping center, a presidente da Comissão de Direito da Mulher, Gisela Cardoso, esclarece que é justamente essa naturalidade demonstrada no trabalho que as mulheres buscam.
“Essa belíssima exposição representa o olhar que nós, mulheres, gostaríamos de receber. Um olhar de naturalidade, de leveza, e não o olhar de objeto, do proibido, do censurado”, ressaltou.
De acordo com ela, o que as mulheres precisam e vem encarando diariamente o desafio de lidar com temas importantes, delicados e, ao mesmo tempo, tão antigos, é justamente o que foi retratado pelo fotógrafo, o sentido de naturalidade.

Redação JA

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