• 19 de setembro de 2021

História em quadrinhos ajuda crianças a lidar com o divórcio

24/04/2015 – Pai e mãe decidem se separar e chamam o filho para conversar. Ele fica triste, zangado, mas encontra duas pessoas que o ajudam a perceber que o divórcio dos pais não precisa gerar vergonha, nem significa afastamento da família. E que seus pais, assim como ele próprio, também estão sofrendo e merecem ser compreendidos. Esse é o mote do gibi Turminha do Enzo que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está disponibilizando no seu portal, com o objetivo de ajudar as famílias durante um processo de separação. A publicação está à disposição dos tribunais e dos cidadãos na página do CNJ.

“O gibi é uma ferramenta para conscientizar a criança. Muitas vezes ela está perdida, pois os pais, envolvidos com sua crise, esquecem de esclarecer a situação ao filho. Por isso, nossa cartilha alerta para a importância da conversa. É uma forma também de sensibilizar os pais”, diz o conselheiro Emmanoel Campelo, coordenador do Movimento pela Conciliação do CNJ, que promove as Oficinas de Parentalidade em todo o Judiciário.

Em 2014, o CNJ elaborou a Recomendação n. 50, que sugere aos tribunais a adoção das Oficinas como política pública para prevenção e resolução de conflitos familiares, entre outras iniciativas. Com o lançamento do gibi, o CNJ completa o material criado nas Oficinas da Parentalidade, que vem ajudando casais e filhos a passarem pela difícil fase da separação conjugal.

“A história de Enzo personifica todas as crianças que enfrentam essa fase”, afirma a juíza da 2ª Vara da Família e Sucessões e Coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos de São Vicente, Vanessa Aufiero da Rocha, responsável tanto pela elaboração do gibi como também das Cartilhas do Divórcio, direcionadas a jovens e adultos.

“Tentamos identificar os questionamentos que mais perturbam as crianças que passam por esse rompimento e trabalhar esses conteúdos de maneira lúdica, por meio de uma linguagem especial direcionada a eles”, completa Vanessa.

Além da própria história, o gibi conta com brincadeiras para colorir, Cruzadinha, Sete Erros, Caça-palavras e Labirinto, que ajudam a reforçar o conteúdo do novo aprendido. “O gibi tem como foco a criança que está passando por esse processo. Na brincadeira de Labirinto, por exemplo, o caminho leva a duas casas”, cita a magistrada.

Além de ensinar a importância de esclarecer as crianças que a culpa do divórcio não é delas, a publicação trabalha as mudanças no conceito de família que envolvem uma separação, de nuclear para binuclear (quando existe o núcleo da mãe e o núcleo do pai).

Mito do trauma – Segundo a magistrada, a ideia de que crianças filhas de pais separados carregam o trauma para sempre ficou para trás. De acordo com a especialista, não é exatamente o divórcio que traumatiza crianças e jovens, mas alguns fatores, como dificuldades financeiras, perder o contato intenso com o pai (ou a mãe) e as brigas entre os responsáveis, que geram insegurança, tensão e medo.

“Para ensinar os jovens a lidar com essa nova fase, é preciso uma boa quantidade de resiliência. Se houver qualidade no relacionamento entre pais e filhos, um convívio harmonioso, os jovens passarão pela fase da separação de forma não traumática”, ensina a magistrada.

Entre os efeitos que um divórcio mal desenvolvido pode acarretar estão o aumento da agressividade (reclamação na escola), a falta de concentração, a baixa autoestima, a regressão para etapas anteriores no desenvolvimento, além da dificuldade em aceitar o ‘não’ e a raiva do genitor com quem a criança tem mais contato.

A história de Enzo – Quando chega em casa, os pais de Enzo o chamam para conversar. De forma direta e calma, pai e mãe anunciam o divórcio e explicam que a culpa não é de Enzo, mas de problemas que não puderam ser resolvidos. Eles reforçam que seguirão sendo seus pais, apenas morarão em casas separadas. Enzo encontra ajuda em Nina, sua amiga. Os pais de Nina também se separaram mas a relação entre eles era de ressentimento. Nina precisou conversar com eles e dizer o que sentia para que parassem de criticar um ao outro para a filha.

Outro personagem que ajuda Enzo é sua professora. Com ela, Enzo revela o quanto se sente confuso, triste, bravo e até mesmo envergonhado. Ela diz que compreende seus legítimos sentimentos, e também explica ao garoto que, assim como ele está em sofrimento, seus pais também se sentem tristes e frustrados. Por fim, a professora ressalta que a família apenas se transformou, não vivem mais juntos, mas seguirão amando e cuidando do filho.

Além do conteúdo on-line, exemplares da publicação também deverão estar disponíveis nas varas judiciais e nos Centros Judiciários de Solução de Conflitos (Cejuscs) para acesso dos jurisidicionados.

Regina Bandeira
Agência CNJ de Notícias

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