• 4 de março de 2021

Empresas de deputado estadual estão sob investigação do MPF e da Polícia Federal

17/03/2015 – Um pool de empresas supostamente criadas pelo deputado estadual José Eduardo Botelho, está sob investigação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF). O inquérito, que vem sendo mantido sob sigilo, foi aberto devido a fortes indícios de que as empresas fariam parte de um grande esquema de fraude em licitações públicas, envolvendo prefeituras e órgãos públicos estaduais de Mato Grosso, para desvios de recursos públicos.

Segundo apurou a reportagem do jornal Centro-Oeste Popular, o esquema sob investigação teria sido arquitetado para financiar acordos políticos nos âmbitos das prefeituras e câmaras municipais de Cuiabá, de Várzea Grande e da Assembleia Legislativa.

O mesmo esquema teria financiado ainda, via Caixa 2, campanhas eleitorais para as Câmaras Municipais de Cuiabá e Várzea Grande em 2012, bem como campanhas para deputado estadual e federal nas eleições do ano passado. As licitações sob suspeita envolveriam recursos superiores a R$ 60 milhões.
Foto: reprodução
Polícia Federal investiga empresas do deputado estadual Eduardo Botelho por suspeita de fraudes em licitações para financiar acordos políticos e campanhas eleitorais.

A reportagem do CO Popular apurou também que o principal alvo das investigações do MPF e da PF são as empresas Construtora Nhambiquaras Ltda, que seria uma espécie de “matriz” informal do grupo empresarial controlado pelo deputado Eduardo Botelho, e a BCX Projetos e Construções Ltda ME.

As outras empresas que estariam registradas em nome de “laranjas” do deputado e que estão sendo investigadas são a XNR Construções Eireli-EPP (Construtora Toledo Ltda ME) e Eletroconstro Eletrificação e Construção Ltda. A reportagem do CO Popular apurou que estas duas empresas têm como proprietários legais, funcionários ou ex-funcionários da Construtora Nhambiquaras.

Uma quarta empresa, a RM Construções Elétricas Transportes e Logística Ltda também estaria sendo investigada por, supostamente, ter como dono um outro “laranja” do parlamentar. Estas três últimas empresas, aliás, estão instaladas em um conjunto de imóveis de uma mesma quadra em um bairro da periferia de Várzea Grande. Os imóveis, segundo vizinhos, pertenceriam ao deputado Eduardo Botelho ou a parentes deste.

OPERAÇÃO ARARATH

As suspeitas de que empresas controladas pelo hoje deputado Eduardo Botelho estariam sendo utilizadas para formar Caixa 2 para políticos custearem campanhas eleitorais e acordos de grupos partidários não é nova.

Desde 2010 já circulavam informações nos bastidores políticos de que a ascensão da Construtora Nhambiquaras como uma das maiores prestadoras de serviços para as prefeituras de Várzea Grande e Cuiabá, fazia parte de um projeto de fortalecimento econômico de um determinado grupo político.
Foto: reprodução
Ninho de empresas: neste conjunto de imóveis na periferia de Várzea Grande, que também pertenceriam ao parlamentar do PSB, funcionam três das cinco empresas que formariam uma holding informal “fechar” concorrência em licitações.

O jornal CO Popular, no ano passado, recebeu em sua redação, um envelope sem identificação do (s) remetente (s) com documentos e mídia eletrônica com uma denúncia que narrava a estrutura de funcionamento da “holding” informal encabeçada pela Construtora Nhambiquaras. Na ocasião, este semanário apurou que, de fato, as empresas Eletroconstro e XNR Construções/ Construtora Toledo estavam em nome de funcionários de Eduardo Botelho.

A reportagem não foi concluída naquela ocasião, pois durante o processo de apuração o jornalista que estava com a pauta foi vítima de um assalto em que os documentos relativos à denúncia foram roubados junto com outros pertences do profissional.

Durante as investigações da Operação Ararath no passado, no entanto, a PF encontrou documentos da empresa Construtora Nhambiquaras nos arquivos apreendidos na casa de um dos principais acusados de utilizar e se beneficiar das operações ilegais do banco informal mantido pelo agiota Júnior Mendonça. Os documentos mostrariam que Nhambiquaras e suas empresas “coligadas” informalmente, seria fonte de custeio de acordos políticos e até mesmo de um “mensalinho” que teria sido pago a um grupo de vereadores da Capital.

O Serviço de Inteligência do Centro-Oeste Popular (SICOP) está levantando novos documentos sobre este caso, como contratos e convênios assinados por órgãos públicos com as empresas controladas diretamente pelo parlamentar ou por “laranjas” ligados à ele e a sua família. Também estamos acompanhando de perto a evolução do trabalho de investigação da PF e do MPF. Em breve traremos mais informações.

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