• 18 de abril de 2021

Eder: Silval pagou R$ 2 mi para ter contas aprovadas

12/01/2015 – O ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes, afirmou, em depoimento ao Ministério Público Estadual que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) autorizou o pagamento de R$ 2 milhões ao ex-deputado estadual Adalto de Freitas (SD), o “Daltinho”, garantir a aprovação das contas do Governo do Estado.

O depoimento foi prestado espontaneamente pelo ex-secretário, no ano passado, na sede das promotorias, em Cuiabá.

Na ocasião, Eder estava acompanhado dos advogados Paulo Lessa e Fábio Lessa. Entres os promotores de Justiça que interrogaram o ex-secretários estavam Roberto Turim e Mauro Zaque.

Segundo Eder, Daltinho era suplente de deputado na Assembleia Legislativa e estava substituindo o então deputado Maksuês Leite (PP), sendo o relator das contas do governo.

“Ele foi primeiro para o Silval, porque ele era do PMDB, e disse que não aprovaria as contas se não tivesse esse recurso para fazer a distribuição. […] Ele recebeu o dinheiro e fez o depósito dessas contas” “O deputado Daltinho estava substituindo o deputado Maksuês, para aprovar as contas de governo em um determinado ano… em 2010… Tem que ver essas datas corretamente, mas foram feitos compromissos. Ele exigiu naquela época R$ 2 milhões para aprovar as contas de governo, porque veio, naquela época, do Tribunal de Contas do Estado, meio quadrada a bola. Mas a Assembleia é que aprovava as contas lá no final”, disse Eder.

No vídeo do depoimento de Eder ao MPE, ao qual o MidiaNews teve acesso com exclusividade, o ex-secretário afirma que o deputado, que na ocasião era relator das contas do governo e filiado ao PMDB, foi diretamente até Silval para exigir o montante para si e outros colegas.

“Ele foi primeiro para o Silval, porque ele era do PMDB, e disse que não aprovaria as contas se não tivesse esse recurso para fazer a distribuição. Eu tenho as contas relacionadas que ele me passou para fazer o depósito. Ele recebeu o dinheiro e fez o depósito dessas contas”.

Segundo o ex-secretário, Daltinho chegou a procurá-lo na Secretaria de Fazenda, para que os pagamentos fossem efetuados.

Conforme Eder, as contas relacionadas por Daltinho para receberem os depósitos seriam de postos de combustível e fornecedores de Barra do Garças, incluindo combustíveis de avião.

Os depósitos, segundo ele, foram feitos pode meio de uma empreiteira alvo da investigação da Polícia Federal, a Encomind, e de uma factoring ligada a Júnior Mendonça, epicentro da Operação Ararath.

“Ele [Daltinho] exigiu naquela época R$ 2 milhões para aprovar as contas de governo, porque veio, naquela época, do Tribunal [de Contas do Estado] meio quadrada a bola. Mas a AL é que aprovava as contas lá no final” Questionado, Eder afirmou que foi o responsável por passar para factoring e para a empreiteira a relação das contas a receberem os depósitos solicitados pelo ex-deputado.

“Porque eles entregavam pra mim, como secretário de Fazenda. Quer dizer, eles negociavam a dívida de gabinete de governo lá e a demanda vinha pra mim, pra resolver isso, isso e isso. Esse pagamento [de R$ 2 milhões] eu ligo à Encomind e a mais umas 10 ou 15 empresas”, disse.

Operação Ararath

O pagamento de R$ 2 milhões teria sido feito dentro das investigações do esquema de lavagem e crimes financeiros investigados pela Polícia Federal na “Operação Ararath”.

Eder Moraes é apontado, nas investigações, como um dos mentores do esquema. O empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, dono das empresas Globo Fomento Mercantil e Comercial Amazônia de Petróleo Ltda, também era operador do esquema, segundo a Polícia Federal.

Ele fez delação premiada e já aceitou pagar R$ 12 milhões aos cofres públicos.

Além de Eder, são réus no processo sua esposa Laura Tereza da Costa Dias, o ex-secretário adjunto do Tesouro do Estado, Vivaldo Lopes, e o superintendente regional do Bic Banco, Luiz Carlos Cuzziol.

POR MIDIANEWS

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