Casal resolve conflito em mutirão de conciliação

Depois de três anos vivendo juntos, a faxineira Simone Escolástico da Silva, 38 anos, e o ajudante de produção João Amâncio da Silva, 27 anos, terminarem o relacionamento. Como não conseguiram chegar a um acordo com relação ao pagamento de pensão e a guarda dos filhos, o caso foi parar na Segunda Vara de Violência Doméstica de Cuiabá, que nesta terça-feira (24 de março) realizou um Mutirão de Conciliação de Violência Doméstica, na Central do Fórum da Capital.

Quando a conversa entre as partes iniciou o clima era de tensão. Os dois estavam magoados, as palavras eram de raiva, ressentimento e uma série de sentimentos ruins. À medida que o diálogo, intermediado por um conciliador, avançou, ambos foram baixando a guarda e o clima começou a mudar.

As palavras ásperas aos poucos foram dando lugar ao acordo. Primeiro foi discutido com quem iria ficar a guarda das crianças (dois meninos, um de dois anos e outro de três meses). A mãe disse que deseja ficar com as crianças. O conciliador perguntou se o pai concordava. Ele disse que sim, com a ressalva que elas sejam bem cuidadas pela mãe.

A conversa avançou um pouco mais. Em seguida os dois decidiram como seriam feitas as visitas. As propostas foram postas à mesa e no final ficou definido que o pai poderá ver os filhos aos finais de semana, feriados e datas comemorativas, como Dia dos Pais, Natal, Ano Novo. Os dois novamente concordaram e o conciliador seguiu para a próxima etapa: definir o valor da pensão.

Nesta parte o diálogo novamente foi interrompido e o clima voltou a ficar tenso. Neste momento entrou em cena a experiência do conciliador e toda a sua formação. O pai propôs um valor, a mãe rejeitou a proposta e disse que quem iria decidir era o juiz. O conciliador novamente chamou para si a tarefa de resolver o conflito de forma amigável, chamando os dois para o diálogo. Novos valores foram apresentados. Os dois negociaram e finalmente chegaram a um acordo.

Depois de tudo acordado, os dois assinaram o termo de conciliação. O clima na sala passou a ser outro. A tensão deu lugar a um suspiro de alívio. “Eu achei muito bom. Não vim aqui pedir nada para mim, mas sim para as crianças. Saio satisfeita, porque foi rápido e prático. Tudo ficou esclarecido e nós dois chegamos a um acordo”, destaca Simone.

João Amâncio diz que também ficou satisfeito com o acordo firmado. “Desde que a gente se separou ela falava que eu não dava assistência para as crianças e a gente brigava muito por isso. Agora não. Conversamos sem briga e ficou tudo esclarecido. Agora eu sei o que eu tenho que pagar e que eu tenho direito também de ver as crianças. Para mim ficou tudo esclarecido. Saio daqui satisfeito com o resultado”, garante.

O conciliador Diego Proença explica que um dos papéis do conciliador é fazer com que as partes restabeleçam o diálogo, que possa ter sido rompido em razão de alguma discussão. “Nós somos um terceiro facilitador, nosso papel é ajudar as partes a restabelecerem o diálogo e resolverem os problemas que possam ter”.

Para isso, a equipe que trabalha na Central de Conciliação e Mediação de Cuiabá usa técnicas que são ensinadas durante os cursos de capacitação oferecidos pela Escola dos Servidores do Poder Judiciário. “Utilizando algumas destas técnicas nós fazemos com que as pessoas enxerguem o problema além da pessoa. É importante que eles não enxerguem o problema na pessoa do ex-parceiro, da ex-parceira, para que o diálogo seja mais fácil”, defende o conciliador.

Conforme a coordenadora da Central, juíza Adair Julieta da Silva, 40 processos cíveis que tramitam na Segunda Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca da Capital, sob a titularidade do juiz Jeverson Luiz Quinteiro, foram encaminhados para o mutirão realizado nesta terça-feira.

O mutirão é resultado de uma parceria entre a Central e a Segunda Vara Especializada para dar andamento célere aos processos e aumentar a produtividade. Conforme a juíza responsável pela Central, os processos selecionados para os mutirões são todos cíveis em que a mediação é indicada.

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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