• 8 de março de 2021

Assassino de esposa vai ao Tribunal do Júri

O aposentado Carlito Lemes Correa será julgado pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado por motivo torpe, sem possibilidade de defesa da vítima, e por porte ilegal de arma de fogo. A decisão é da juíza Tatiane Colombo, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em Cuiabá. A audiência de instrução e julgamento do réu confesso foi realizada na tarde de quinta-feira (198 de fevereiro), no Fórum da capital.

Carlito Lemes Correa é acusado de assassinar a esposa Rosa de Miranda Correa Lemes com um tiro de espingarda. O crime aconteceu no dia 19 de outubro de 2014, no Assentamento Rural Pai Joaquim, Distrito da Guia. O casal vivia junto há mais de 35 anos e tinha cinco filhos – três mulheres e dois homens.

Na audiência, foram ouvidas cinco testemunhas, sendo duas filhas do casal. Uma delas, Fabiane Correa Lemes, de 30 anos, revela que a mãe chegou a ligar para pedir socorro. “Eu estava em Cuiabá quando minha mãe ligou pedindo ajuda, dizendo que meu pai iria matá-la. Pedi para que ela se mantivesse longe dele. A ligação caiu e quinze minutos depois recebemos a notícia de que ela estava morta. Foi um tiro a queima roupa, em cima do coração”, conta.

Fabiane explica que o pai não era violento, mas que se transformava quando bebia. “Ele maltratava e xingava a minha mãe, mas ela não queria se separar. Se soubéssemos que terminaria assim, teríamos tirado ela de casa”, conta a filha do casal, acrescentando que Rosa era uma esposa exemplar, que cuidava muito bem da casa e do marido. “Minha mãe cuidava dele, idolatrava ele. Por isso não tem explicação o que ele fez”, afirma.

A filha da vítima enfatiza que o pai teve oportunidade de se tratar, de combater o vício na bebida, e ressalta que o crime abalou toda a estrutura familiar. “Todos nós estamos muito abalados, alguns dos meus irmãos estão calados. Somos cinco pessoas nos apoiando umas nas outras para tentarmos nos reerguer”, pondera.

Fabiane finaliza dizendo que é uma situação muito difícil. “Ele vai ficar preso, mas terá a oportunidade de recomeçar. A minha mãe não. Ela não teve chance nem do socorro”, argumenta Fabiane Lemes.

Justiça pela Paz em Casa – Para evitar que casos como esse continuem a acontecer, a Corregedoria-Geral de Justiça está promovendo a campanha Justiça pela Paz em Casa, em Mato Grosso. Trata-se de uma ação nacional, lançada pela ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de janeiro. O objetivo é mobilizar todo o país para a resolução de casos de violência doméstica na semana de 9 a 13 de março.

Em Mato Grosso, a campanha conta com parceria de instituições públicas e privadas, dentre elas o Governo do Estado de Mato Grosso, Prefeitura Municipal de Cuiabá, Defensoria Pública, Assembleia Legislativa, Ministério Público, OAB-MT, BPW, Óticas Diniz e Refrigerantes Marajá.

Ana Luíza Anache;CGJ-MT

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