“Antes era o tio Willian, agora é pai Willian”

15/08/2016 – O professor Willian Silva de Paula, 46 anos, é solteiro e sempre teve vontade de ser pai, mas acreditava que não estava pronto, até o momento em que Rodrigo, 13 anos, apareceu. Logo no primeiro encontrou surgiu uma cumplicidade, que só aumenta a cada dia. Willian conheceu Rodrigo em Campo Verde, interior de Mato Grosso, onde morava. No início era apenas para os dois passarem um final de ano juntos. Rodrigo, com pouco mais de 4 anos, estava em um abrigo e Willian era voluntário em um projeto para acolher crianças aos finais de semana e datas festivas.

Após o convívio do final de ano Willian sabia que estava pronto para ser pai. Mesmo sendo solteiro, deu entrada no processo para adotar uma criança. Como já tinha um vínculo emocional muito forte com Rodrigo, acabou por adotá-lo. “Quando entrei na fila da adoção não tinha certeza que iria ser o Rodrigo. Mas deu tudo certo e estamos juntos”, afirma Willian.

Apesar de ser pai solteiro, a estrutura familiar de Willian ajudou muito. Ela ainda mora com os pais, que ajudam na formação de Rodrigo. “Mesmo morando com minha família, minhas atribuições como pai não diminuem”, informa.

Rodrigo é um menino tímido, como a maioria das crianças de sua idade. Gosta de jogos eletrônicos, celulares e computadores. Está totalmente integrado à família e tem uma cumplicidade muito grande com pai. Mas nem sempre foi assim. “Logo no início ele me chamava de tio Willian, agora é pai Willian”, explica.

Apesar de ser permitida, a adoção por pessoas solteiras é pouco comum, principalmente a adoção feita apenas pelo pai. De acordo com informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), esse tipo de adoção representa cerca de 15% do total.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), qualquer pessoa maior de 18 anos e capaz pode adotar. A única exigência quanto à idade é que os pais precisam ter pelo menos 16 anos a mais que o filho que pretende adotar. A secretária da Ceja explica que os interessados em adotar precisam procurar a Vara da Infância de qualquer comarca e se inscrever. É possível fazer todo esse procedimento diretamente, sem a necessidade de acompanhamento por advogado. Uma equipe técnica multidisciplinar visita a casa do interessado e emite um parecer. Se o processo de habilitação for aprovado, o interessado entra para a fila de adoção.

A secretária da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), Elaine Zorgetti Pereira, informa que em Mato Grosso existem 700 pessoas interessadas em adotar esperando na fila. Do outro lado, 75 crianças a espera de uma família.

 

A paternidade tão sonhada pode se tornar realidade de forma bastante rápida. Apesar de o número de pretendentes ser maior do que o de crianças aptas à adoção, muitos não desejam crianças com mais de dois anos. “Quanto menos exigência o interessado fizer, mais rápido a adoção acontece”, informa Elaine Zorgetti.

 

Para o professor Willian, tudo aconteceu muito rápido. Ele sabia que não havia nenhum empecilho pelo fato de ser solteiro. Preencheu todos os requisitos e quando ele menos esperava foi informado que o ‘tio Willian’ agora poderia ser chamado de pai. “Um filho muda a vida de qualquer pessoa, passamos a valorizar e dar importância para outras coisas”, ressalta.

 

Willian observa que o grande desafio, pelo fato de ser pai solteiro, é promover uma formação adequada para o filho. Mesmo contando com o apoio da família, sabe que a educação tem quer ser dada por ele. “Desejo que o Rodrigo se transforme em um homem que se preocupe em transformar a vida dos outros”, informa.

 

Para saber mais informações sobre o projeto Padrinhos ou sobre adoção, entre em contato com a Ceja pelos telefones: (65) 3617-3121/3276.

 

 

Por; Vlademir Cargnelutti/Fotos: Tony Ribeiro

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