17/04/2016- 17/04/2016- Advogado Julio César acusa deputado de ter pedido R$ 500 mil em esquema

LUCAS RODRIGUES E AIRTON MARQUES- Foto Reprodução
DA REDAÇÃO
O advogado Julio César Rodrigues acusou o deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB) de ter pedido R$ 500 mil para autorizar o pagamento dos créditos de R$ 9,4 milhões que a Assembleia Legislativa devia ao banco HSBC.

A acusação foi feita durante o interrogatório do advogado, na Vara Contra o Crime Organizado, no Fórum da Capital. Ao MidiaNews, Romoaldo negou as acusações e classificou o advogado como “doente” e “bandido” (leia AQUI).

“Ele [Romoaldo] disse: ‘A principio quero R$ 500 mil para ajudar você nisso aqui’. Levei ao Joaquim e ele me autorizou a realizar este pagamento. Voltei ao deputado Romoaldo, que falou de ‘segurança jurídica’ para realizar o acordo administrativo”, relatou o advogado.

Julio César é réu da ação penal derivada da Operação Ventríloquo, que apura suposto esquema que teria concedido indevidamente estes R$ 9,4 milhões ao então advogado do HSBC e delator da operação, Joaquim Fábio Mielli Camargo.

Ele é acusado de ter atuado como “lobista” no alegado esquema e intermediado as negociações, cujo principal destinatário seria o ex-deputado estadual José Riva.

Ele [Romoaldo] disse: ‘A principio quero R$ 500 mil para ajudar você nisso aqui’
Preso no Centro de Custódia desde agosto do ano passado, Julio César já havia sido interrogado, mas pediu um novo depoimento sob a alegação de que não havia contado toda a verdade no interrogatório anterior.

Suposta propina

O advogado afirmou que quando foi chamado por Joaquim Mielli para tratar do processo de execução da divida da Assembleia com o HSBC, Mielli teria pedido que ele criasse meios para conseguir a solução do problema.

“Não sabia como iria fazer isso. Então procurei Francisvaldo Mendes Pacheco, assessor do deputado Romoaldo Júnior”, contou ele à juíza Selma Arruda.

Julio César disse que buscou se reunir com o deputado e, em agosto de 2013, eles conversaram sobre o processo. Na ocasião, Romoaldo presidia a Mesa Diretora da Assembleia, uma vez que Riva havia sido afastado desta função pela Justiça.

Foi nesta reunião, conforme Júlio César, que o parlamentar teria lhe pedido R$ 500 mil para autorizar a liberação dos créditos.

Como Romoaldo Júnior teria demorado a encaminhar a proposta para o pagamento dos créditos, o advogado disse que pressionou o parlamentar a solucionar a situação.

Porém, três meses depois, segundo Julio César, Romoaldo teria informado que não conseguiu dar andamento ao processo, pois “Riva não queria”.

“Júlio, não tem como, o homem [José Riva] não quer fazer. Eu não consigo. O que podia fazer, eu fiz”, teria dito Romoaldo, conforme a versão do advogado.

Na ocasião, de acordo com o relato, Romoaldo o teria orientado a buscar a procuradoria jurídica da Assembleia, então comandada pelo advogado Anderson Flávio Godoi – também réu da ação penal.

Após o parecer favorável de Anderson Godoi, Julio César então teria se reunido com José Riva para tratar da liberação dos créditos.

Segundo ele, Riva aceitou liberar os créditos ao advogado do HSBC, desde que ficasse com 50% do montante, ou seja, R$ 4,5 milhões.

Na audiência, Julio César afirmou que houve um conluio entre o advogado Joaquim Mielli e o deputado Romoaldo Júnior, cujo objetivo seria não citar o parlamentar na delação feita por Mielli ao MPE.

“Poupou o deputado Romoaldo e forneceu todas as informações do que seria feito, por meio de seu advogado. Conluio entre eles sempre existiu”, disse.

O Riva não tem interesse em entregar deputado nenhum. Já me disse: ‘Não fala do Romoaldo’
A juíza Selma Arruda questionou Julio César sobre os motivos que Riva teria para “blindar” Romoaldo, uma vez que uma possível denúncia contra o peemedebista levaria o caso ao Tribunal de Justiça, tornando a situação mais favorável a Riva.

“O Riva não tem interesse em entregar deputado nenhum. Já me disse: ‘Não fala do Romoaldo’. Parei de falar com o Riva nos últimos 30 dias”, respondeu.

“Riva mandava no Centro de Custódia”

Em seu novo interrogatório, o advogado também contou que se reuniu várias vezes com o deputado José Riva dentro do Centro de Custódia.

“Certo dia um carcereiro abriu uma janela e disse: ‘o Riva quer falar com você’. Ele questionou quem era meu advogado. Falou para eu ficar tranquilo, que ele estava resolvendo tudo”, declarou.

Segundo Julio César, Riva “mandava lá dentro” e, nas reuniões, pedia que ele não contasse à Justiça sobre o alegado envolvimento de Romoaldo Júnior nos fatos.

“Falava com quem queria. O diretor do Centro de Custódia é funcionário do Riva […] Exigiam que me calasse, que iriam dar apoio. E que não falasse nada em relação ao Romoaldo”, disse.

Ameaças e anotações

No interrogatório, o advogado também confessou ter enviado mensagens de texto ao irmão do deputado Romoaldo Júnior. Nas mensagens, ele dizia: “tenho seu mano gravado várias vezes… quero um milhão p segurar a bronca toda.. Vcs tem três dias”.

“São verdadeiras, mandadas por mim e quero pagar por elas”, disse.

“Estava em São Paulo. Estourou a Operação Ventríloquo. Fiz mais pelo psicológico abalado, do que por uma eventual beneficio financeiro”, completou.

Julio César justificou que a anotação em sua agenda que dizia para “ferrar Riva” se tratava apenas de um “desabafo”.

“’Ferrar com Riva’, não foi uma ameaça, mas um desabafo, depois que você vê toda sua vida profissional acabada”.

O promotor de Justiça Samuel Frungilo, do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), questionou o advogado sobre anotações de reuniões com o ex-vereador João Emanuel.

“Antes de procurar Dico [Francisvaldo] procurei João Emanuel. Ele orientou para protocolar um documento na Assembleia, solicitando o acordo administrativo, e triplicar este valor”, disse.

“Ele [João Emanuel] me orientou a elaborar um oficio com o valor triplicado e aplicar um desconto e protocolar na Assembleia. Na época não conhecia Anderson. E o parecer foi de que não tinha como fazer”.

Propina menor

À juíza Selma Arruda, o advogado disse que, a princípio, cobrou R$ 1 milhão a título de propina para garantir a liberação dos pagamentos. Porém, ao final do acordo, recebeu “apenas“ R$ 372 mil.

De acordo com ele, Riva também recebeu um valor menor do que o combinado.

“Inicialmente ele [Riva] me disse que era para pagar uma divida de combustível. Mas depois ele me disse que a maior parte foi para o Romoaldo. Que Romoaldo teria ficado com aproximadamente R$ 700 mil”, declarou.

Julio César contou que Romoaldo Júnior teria chegado a lhe cobrar os R$ 500 mil em encontro feito em um shopping da Capital.

Aos promotores de Justiça, o advogado afirmou que José Riva era o líder e principal beneficiário do suposto esquema.

“Deputado Riva era o mandante de tudo”.

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