• 24 de setembro de 2021

09/03/2016 – Corregedora-geral da Justiça defende reflexão no Dia da Mulher

Neste dia 8 de março de 2016 – Dia Internacional da Mulher, a corregedora-geral da Justiça, desembargadora Maria Erotides Kneip, propõe uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade e sobre o real significado dessa data. “Por que nós mulheres ainda temos uma dupla jornada de trabalho? Por que ainda se permite que haja uma divisão entre trabalho feminino, tarefas femininas e trabalhos masculinos?”, questiona.

Maria Erotides lembra que esse dia surgiu em 1857, quando 130 mulheres trabalhadoras foram mortas queimadas em uma indústria têxtil de Nova Iorque. “Infelizmente, mais de 100 anos depois, nós não sabemos sequer o nome de nenhuma delas. Elas reivindicavam direitos como redução da jornada de trabalho, equiparação salarial, reconhecimento da condição de mulher e respeito. E foram violentamente reprimidas”, conta.

Segundo a desembargadora corregedora, somente em 1910, numa conferência da Dinamarca, foi sugerido transformar essa data no Dia Internacional da Mulher. Mas a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou esse dia em 1975, quase 120 anos depois. “E vejam, as causas pelas quais elas lutavam continuam sendo as nossas causas, como a redução da jornada de trabalho. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) diz que a mulher trabalha cinco horas a mais que o homem por semana, por causa da jornada dupla”, defende.

Para a magistrada, não deve haver divisão de tarefas entre homens e mulheres. “Não podemos permitir essa divisão sob pena de alimentarmos a assimetria do poder. Fazer trabalho doméstico não afeminiza o homem, pelo contrário, o engrandece. Trabalho doméstico é tarefa de homem e de mulher”, afirma.

E se muitas vezes a mulher não é valorizada, há vários momentos em que é subjugada. UM exemplo dessa triste realidade são os índices de violência doméstica, prática que amedronta mulheres em todo o país. O estudo “Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres”, divulgado em novembro do ano passado com dados referentes ao ano de 2013, mostra que 50,3% das mortes violentas de mulheres no Brasil são cometidas por familiares. Do total de homicídios femininos, 33,2% são praticados por parceiros e ex-parceiros.

Conforme o estudo, o país tem uma taxa de 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres, uma das maiores do mundo. Mato Grosso está em 9º lugar no ranking nacional, com índice de 5,8 homicídios, dividindo a posição com os estados da Bahia e do Pará. Na 1ª instância da Justiça estadual, atualmente tramitam 16.956 ações penais de violência doméstica. A comarca de Cuiabá lidera a lista, com 4.441 processos. Além disso, somente em 2015, foram concedidas 7.843 medidas protetivas no Estado.

“O Dia Internacional da Mulher é uma data para a gente pensar sobre tudo isso. Mais do que ser homenageadas, as mulheres precisam ser respeitadas”, decreta Maria Erotides Kneip.

POR Ana Luíza Anache | Fotos: Otmar de Oliveira

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