06/10/2015 – Empresas do Prefeito Mauro Mendes entra em recuperação judicial divida de 102 milhões

O juiz Flávio Miraglia Fernandes, da 1ª Vara Cível de Cuiabá, autorizou, na última segunda-feira (5), a recuperação judicial do Grupo Bipar, composto por empresas do prefeito Mauro Mendes (PSDB).

O grupo, que declarou dívidas na ordem de R$ 102 milhões, é formado pela Bipar Energia S.A.; Bipar Investimentos e Participações S.A.; Mavi Engenharia e Construções Ltda.; e Bimetal Indústria Metalúrgica Ltda.

Segundo o juiz, as empresas trouxeram toda a documentação necessária para ter o pedido atendido, como os demonstrativos contábeis, relação de bens e a exposição das causas da crise.

“Assim, estando os documentos apresentados em termos para ter o seu processamento deferido, já que presentes os requisitos legais (arts. 47, 48 e 51 da Lei 11.101/2005), e verificada a “crise econômico-financeira” das devedoras, devidamente relatada às fls. 449/454, lograram êxito em atender aos requisitos legais para a obtenção do processamento do pedido formulado na forma estabelecida na lei de recuperação, ao menos nesta fase processual”, determinou.

Com a decisão, o grupo empresarial deverá apresentar, em até 60 dias, um plano para se recuperar da crise, que será avaliado em assembleia geral composta pelos credores das empresas.

Também ficam suspensas, por seis meses, todas as ações de execução de dívidas contra o grupo. Durante este período, o Grupo Bipar e seus sócios não poderão ser incluídos nos cadastros de órgão de proteção ao crédito.

Para a administração das empresas em recuperação, o juiz nomeou o advogado Mauro José Pereira, cujos valores de honorários ainda deverão ser especificados.

A crise

O Grupo Bipar relatou que atua no distrito industrial de Cuiabá desde 1996, sendo que atende clientes públicos e privados, sob a forma de contratos de fabricação e prestação de serviços, concessões e parcerias público privadas.

As empresas lembraram que tinham uma expectativa de faturamento de R$ 440 milhões em 2014, em razão de grandes contratos, como a da ampliação do Aeroporto de Fortaleza e mais “cinco contratos de obras de construção de Linhas de Transmissão em Mato Grosso/Rondônia, pelo preço de R$ 146 milhões, Matrinchã em Mato Grosso, no valor de R$ 129 milhões, Eletronorte, no Acre, apreçada em R$ 159 milhões, São Pedro e São João, em Piauí, cotada em R$ 212 milhões”.

Porém, tal cifra não foi atingida por vários fatores, entre eles a demora para receber um aditivo de R$ 55 milhões junto à empresa Matrinchã Transmissora de Energia, que só foi pago em dezembro do ano passado, “ou seja, um ano após a solicitação, impondo a construtora um longo período de execução de obra sem cobertura financeira, gerando enormes prejuízos”.

Com esse revés, o grupo alegou que precisava aumentar o capital de giro para financiar os trabalhos, o que não ocorreu em razão da exposição pública de Mauro Mendes nas investigações relacionadas à Operação Ararath, em que ele é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF).

O fato resultou em corte de limites de créditos ao grupo,”justamente no momento em que deveriam ser ampliados, para fazerem frente ao crescimento da demanda”.

Somando estas situações com a diminuição de produtividade, comprometimento dos cronogramas de obras e entregas, o grupo acabou por faturar R$ 321,7 milhões dos R$ 440 milhões previstos, “fechando o ano com prejuízo contábil e financeiro”.

Apesar da contenção de gastos e das medidas contra a crise, o grupo acumulou dívidas de R$ 102 milhões e argumentou que a recuperação judicial seria a única forma de manter as empresas em atividade, gerando empregos, receitas e tributos.POR REDDAÇÃO JA COM  LUCAS RODRIGUES

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